AngolaCooperaçãoDestaquesReligiões

PR à saída da audiência com o Papa: Reformas no país chegaram a um ponto de “não retorno”

O Presidente da República, João Lourenço, assegurou, ontem, em Roma, que as reformas em curso no país chegaram a um ponto de “não retorno”. Em entre- vista à Rádio Vaticano, logo após a audiência com o Papa Francisco, o Chefe de Estado angolano reconheceu que o país passa por enormes dificuldades.

Angola reafirma neste encontro, não apenas projectos de cooperação com o Vaticano, mas também outros interesses da Igreja Católica em Angola, designadamente a construção do novo Santuário da Muxima (Foto: D.R.)

passageiros se atiram contra a tripulação, “porque aí é que seria o fim, e tão-pouco se atiram do avião para fora, porque a turbulência passa”. Garantiu que “o fim da turbulência vai chegar”. (Jornal de Angola)

Entrevistado pela Rádio Vaticano, logo após a audiência com o Papa, João Lourenço reconheceu que Angola está a atravessar um momento de turbulência, mas dentro de pouco tempo há-de passar.

O Presidente da República, João Lourenço, considerou ontem que as reformas em curso no país chegaram a um ponto de “não retorno”.

Entrevistado pela Rádio Vaticano, logo após a audiência com o Papa, João Lourenço enfatizou que “as reformas atingiram um ponto tal que, mesmo com alguma turbulência, temos de seguir em frente”.

Fazendo uma analogia com uma aeronave, o Chefe de Estado disse que “quando subimos num avião e apanhamos turbulência, os passageiros não se atiram contra a tripulação, porque aí é que seria o fim, e tão-pouco se atiram do avião para fora, porque a turbulência passa”.

Portanto, continuou, é preciso dar paz de espírito à tripulação para que ela consiga retirar o avião dessa situação de turbulência. “Com os países é um bocado igual. A garantia que podemos dar é que o avião vai chegar ao destino em segurança. É uma questão de apertarmos um pouco os cintos, estamos a atravessar um momento de turbulência, mas dentro de pouco tempo há-de passar. O fim da turbulência vai chegar”, acentuou o Presidente.

Seca no país Questionado sobre a seca no Sul do país e o perigo de uma eventual catástrofe humanitária, João Lourenço afastou tal hipótese. “O perigo de uma catástrofe ainda maior do que aquela que já assistimos não existe. Na fase inicial, caso não tivesse havido a intervenção do Estado e da sociedade civil, para acudir as vítimas da seca, aí, sim, teríamos tido uma grande catástrofe, mas após a minha visita às províncias do Namibe e Cunene, o Executivo engajou-se efectivamente com um programa de emergência e este salvou vidas”, esclareceu.

Reconheceu, entretanto, que os programas de emergência não são solução. “A seca vem acontecendo ciclicamente ao longo de décadas e mais do que soluções paliativas temos que encontrar soluções definitivas. Seca haverá sempre, porque é um fenómeno natural, o importante é que se criem condições para não faltar água mesmo não estando a chover”, sublinhou.

Acrescentou que a solução já foi encontrada e consiste em aproveitar os grandes cursos de água, nomeadamente o rio Cunene. Anunciou que o primeiro projecto será lançado no dia 15 deste mês, e outros cinco nos próximos anos.

Relações com o Vaticano O Presidente da República disse que Angola reputa de grande importância as relações com o Vaticano, tendo destacado a figura do Papa pela “grandeza de espírito e as reformas que está a introduzir na Igreja”, desde o início do seu Pontificado.

Com o líder da Igreja Católica, João Lourenço abordou, entre outras questões, o estado da religião em Angola e no mundo. “O Papa interessou-se em saber que outras religiões existem em Angola, o nível de coabitação e convivência entre elas, se era pacífica ou não”.

O Chefe de Estado assegurou que o Estado angolano é laico e está interessado em promover a convivência entre as religiões.

Disse ter recebido do Papa vários conselhos e manifestou satisfação pela forma como decorreu a audiência.

Sobre o Acordo-Quadro, assinado em Setembro, entre os dois Estados, o Presidente da República disse que o país assinou o documento por ter a noção da importância da Igreja Católica em Angola, que considera “um grande parceiro”, sobretudo no sector social. Destacou o papel da Igreja no apoio às pessoas vítimas da seca, nomeadamente na mobilização de recursos.

Lembrou que a Igreja Católica está presente em todo o país, “e mesmo nos momentos mais difíceis, sempre soube manter boas relações com as autoridades”.

No domínio da política externa, João Lourenço disse que Angola tem relações diplomáticas com quase todos os países do mundo, sublinhando que em dois anos de mandato efectuou um conjunto de visitas tanto em África como noutros continentes, na perspectiva de consolidar as relações.

As imagens demonstram o ambiente de cordialidade estabelecido entre o Chefe de Estado angolano e o Papa Francisco (Foto: D.R.)

João Lourenço confirmou a visita de Estado, no próximo ano, à Itália, mas disse não ter nada em agenda em relação ao Brasil. “As relações com o Brasil são históricas, com uma componente afectiva e cultural muito grande. Uma boa parte da população brasileira é de origem africana. Os laços entre os dois países sempre estiveram a um nível alto e vamos continuar a aprofundar estas relações”.

No entanto, acrescentou, não existe nenhuma data para uma eventual visita ao Brasil. “Mas se eu não for ao Brasil o Presidente Bolsonaro poderá visitar Angola. Aliás, Angola vai acolher, em Agosto do próximo ano, a Cimeira da CPLP e, se até lá, não acontecer a minha visita ao Brasil, com certeza ele irá a Angola”.

A agenda do Chefe de Estado prevê, para hoje, uma visita à Basílica de São Pedro e à Capela Sistina. O Presidente da República vai ainda prestar homenagem ao primeiro embaixador do Reino do Congo junto da Santa Sé, D. Manuel Nvunda “Negrita”, depositando uma coroa de flores na sua sepultura.

João Lourenço recebido no Vaticano pelo Papa Francisco

Um momento histórico, assim se pode descrever o encontro entre o líder da Igreja Católica e o Chefe de Estado angolano, ontem, no Vaticano.

Debaixo de um céu cinzento, prenúncio de mais um dia de chuva, muito frequente nesta época, em Roma, o Papa Francisco recebeu o Presidente João Lourenço pouco depois das 10h30, tendo o encontro demorado cerca de 30 minutos.

A audiência foi marcada por três momentos distintos: a conversa em privado, a saudação à Primeira-Dama e membros da delegação e a troca de presentes.

O Presidente João Lourenço ofereceu uma tela “Mãe Alegre”, uma obra do artista angolano Guizef, nome artístico de Augusto Zeferino Guilherme. Na sequência, o Papa presenteou o Chefe de Estado angolano com um livro sobre São Martinho, bispo de Tours (França), que morreu no ano 397 d.C. Durante o encontro foi expressa a satisfação pelas boas relações existentes entre a Santa Sé e Angola, bem como o apreço pela contribuição da Igreja Católica ao país, particularmente no domínio social.

Em comunicado, a Sala de Imprensa da Santa Sé informou que foram examinados alguns aspectos do Acordo Bilateral assinado a 13 de Setembro, pelo ministro das Relações Exteriores, Manuel Augusto, e pelo secretário das Relações Exteriores com os Estados, D. Ricchard Gallagher.

O documento reconhece a personalidade jurídica pública da Igreja e das suas instituições, bem como o livre exercício da missão apostólica e a sua contribuição específica nas diferentes áreas sociais.

Após a audiência com o Bispo de Roma, o subsecretário para as Relações com os Estados, D. Miroslaw Wachowski, teve um encontro com o ministro das Relações Exteriores.

Chefe de Estado rejeita perseguição a minorias

O Presidente da República, João Lourenço, rejeitou ontem, em Roma, que haja minorias perseguidas em Angola.

Em declarações à Rádio Deutsche Welle, uma emissora internacional alemã, João Lourenço disse não ter conhecimento de nenhum caso.

A uma pergunta do jornalista sobre eventual encerramento de mesquitas em Angola, o Presidente da República disse que os muçulmanos nunca foram perseguidos nem molestados por ninguém. “Eles convivem perfeitamente com cidadãos angolanos. Inclusive, há um bairro em Luanda, muito próximo do Aeroporto, quase tomado por eles. Não há caso de detenção nem de expulsão”, esclareceu o Presidente, que considerou a pergunta “uma insinuação”.

Angola tem cerca de 800 mil muçulmanos, entre nacionais e estrangeiros, residentes na sua maioria em Luanda e que se dedicam particularmente à actividade comercial.

Além do Mártires de Kifangondo, onde reside uma vasta comunidade islâmica, um elevado número vive no bairro Hoji-ya-Henda, no município do Cazenga, onde existem várias mesquitas. (Jornal de Angola)

Por: Diogo Paixão

 

 

Mostrar mais

Notícias relacionadas

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

Close

Adblock Detected

Please consider supporting us by disabling your ad blocker