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Tecnologia: MacBook Pro 14 com M1 Pro: um modelo realmente feito para profissionais? | Análise

Por não ser considerado como um sucessor do M1, mas sim uma versão ainda mais potente do primeiro SoC (system-on-a-chip) projectado pela Apple baseado na arquitetura ARM, o M1 Pro talvez seja o que faltava para a Maçã enterrar de vez a sua parceria com a Intel.

Será que a Maçã finalmente voltou a fazer computadores com desempenho “pro”? É isso que você confere a seguir na nossa análise completa.

Dotado de 8 núcleos de CPU e 14 núcleos de GPU no MacBook que temos em mãos, mas chegando a até 10 núcleos de processamento e 16 núcleos voltados para vídeo nas versões ainda mais potentes do computador, o chipset aparece em benchmarks ao lado de modelos de alto rendimento da antiga parceira, chegando a superar o i9-11980HK.

E se os números não deixam a desejar, a experiência de uso também passa longe de decepcionar.

Assim como no modelo Air, não notamos nenhum de tipo de lentidão ou travamento no uso e, como era de se imaginar, o computador se saiu muitíssimo bem nas tarefas do cotidiano, não precisando “pensar” muito para possibilitar a redação de textos no Pages, da Apple, ou a navegação na internet através do Safari.

Como teste mais intenso, fizemos a edição simples de um vídeo em 4K no Final Cut Pro, mas tanto a preview quanto a render foram tão suaves que as ventoinhas nem chegaram a entrar em ação, deixando o M1 Pro trabalhar como se estivesse aproveitando uma tarde fresca e ensolarada de domingo.

Para falar a verdade, talvez o nosso uso em testes não tenha sido intenso o suficiente para mostrar o poder de processamento disponível; mas talvez ele também sirva como dica de qual é o público-alvo dos novos MacBooks Pro de 14 e 16 polegadas.

Colocando em pratos limpos: se você é um profissional que exige altas taxas de processamento, seja com múltiplas camadas de edição em um vídeo em 8K, seja em projetos arquitetônicos mais intensos, ou trabalha com modelagem 3D ou com um ramo do desenvolvimento de software que precisa de muito desempenho, é provável que esses sejam os modelos para você.

O M1 Pro, em comparação ao M1 “normal”, tem performance equiparada em single-core, desempenhando em testes de forma levemente superior. O jogo muda, tanto para ele quanto para o M1 Max, quando o assunto é multi-core. Ambos os modelos avançaram bastante nessa matéria.

E como se não bastasse o alto desempenho, o M1 Pro também é pró em autonomia, e repetiu os ótimos resultados vistos no modelo Air.

Aqui, com o uso que citamos anteriormente, o MacBook Pro foi capaz de se manter longe das tomadas por mais de 10 horas ininterruptas; mas não duvidamos que em um uso mais simples, apenas navegando no Safari ou assistindo algum serviço de streaming, que a bateria seja capaz de atingir marcas ainda melhores.

Outro destaque positivo que notamos e que vale destacar é que ao contrário do que vemos em alguns notebooks com Windows, o rendimento não sofre quedas mesmo quando o dispositivo está sendo alimentado apenas por sua bateria.

Mas o novo MacBook Pro não é feito apenas de pontos positivos.

Pontos negativos

Como talvez não pudesse ser diferente, levando em consideração todas as mudanças que tiveram que ser realizadas desde as gerações anteriores dos seus computadores para conseguir chegar a um produto de alto desempenho, mas que não abre mão do design, grande parte dos componentes do Pro são soldados em uma placa única.

Com isso, realizar o upgrade da quantidade de memória unificada ou de armazenamento é uma tarefa praticamente impossível após a compra, ficando reservada apenas àqueles que querem se aventurar em meio as soldas da placa. E antes disso, o processo sai muito caro.

Para se ter uma ideia, no site da Apple Brasil, aumentar a memória unificada de 16 para 32 GB custa mais R$ 5.000, enquanto ir de 512 GB para 1 TB de armazenamento ficaria por mais R$ 2.500; valores que se somados e acrescentados a todos os upgrades possíveis, podem deixar o valor do MacBook Pro de 14 polegadas equiparado a de um carro zero.

É sério, o valor passa dos R$ 75 mil!

Compatibilidade ainda pode ser um problema

Mas os pontos “não tão positivos” não param por aí. Lembra da seda que rasgamos para o novo processador da Apple há uns 2 minutos atrás? É tudo verdade, mas tem uma parte que a gente quase esqueceu de falar.

Apesar de a essa altura do campeonato o irmão menos potente do M1 Pro já estar há pouco mais de 1 ano no mercado, nem todas as aplicações disponíveis para Mac são 100% compatíveis com ele; e apesar da Apple ter dado o seu jeito para resolver a situação com o Rosetta 2, nem tudo são flores.

Para os que não imaginam do que estamos falando, vamos a uma breve explicação. Essa não é a primeira vez que a Apple realiza a transição entre processadores. No passado, em meados de 2006, a empresa finalizou sua parceria com a IBM, que produzia os famosos PowerPC, e resolveu se juntar à Intel. Na época, para deixar essa transição mais suave, desenvolveu a primeira versão do Rosetta.

Agora, com a Rosetta 2, a história se repete. De forma básica, o programa é responsável por “traduzir” o código binário das aplicações feitas para a arquitetura Intel, tornando possível executar apps desenvolvidos para essa arquitetura em Macs com o Apple Silicon, como é o caso desse MacBook Pro aqui.

Ainda que o usuário não tenha que se preocupar com nada para realizar essa tradução, tendo que, no máximo, esperar até que o sistema baixe o pacote quando identificar que precisa rodar um programa da arquitetura antiga, nem sempre tudo acontece como deveria.

Programas como o OneDrive, que ainda não ganhou sua versão compatível com o M1 e, por consequência, nem com o M1 Pro, apresentou alguns bugs bem chatinhos com a sincronização de arquivos; e o mesmo se repetiu para alguns pequenos aplicativos de terceiros.

Mas dando a César o que é dele, a maior parte dos grandes desenvolvedores já soltaram uma versão compatível das suas aplicações, então a não ser que você trabalhe ou precise de algo muito específico no seu dia a dia, é provável que você nem note a diferença.

Isso é um notch?

Mas vamos falar do elefante branco na sala: o notch. Para aumentar a área útil do display e não ter que recorrer a colocar a webcam em algum lugar estranho – como na parte inferior da tela, de frente para o teclado, a Apple adotou o entalhe que já estamos acostumados a ver há algum tempo na tela dos iPhones.

No entanto, por mais que esse parecesse o fluxo natural das coisas, diferente dos seus smartphones, não temos um sistema de reconhecimento facial por aqui; só uma câmera de resolução Full HD e um sensor de luz ambiente.

Mas não é que o notch seja totalmente injustificado. Apesar de ser estranho ver o entalhe em uma tela maior, como a de um laptop, a Apple utilizou o espaço criado para alocar a Barra de Menus do macOS – onde normalmente ficam os menus dos programas e alguns atalhos do sistema.

Com isso, você acaba ganhando um pouquinho mais de espaço para trabalhar ou consumir conteúdo e, na nossa opinião, depois do choque inicial, o notch acaba passando despercebido em grande parte das ocasiões; ainda mais se você exibir a Barra de Menus 100% do tempo.

Logo, é impossível classificar o notch como algo negativo, mas dizer que ele é totalmente positivo, ainda mais sem ter um Face ID embutido, é forçar um pouco a barra.

Construção: a volta das portas

Lembrada por saber construir boas peças de hardware, mas nunca esquecida pelos seus erros (adeus, teclado borboleta), aqui temos mais um caso em que a Apple voltou atrás – parcialmente, ao menos.

Depois de ter se livrado de quase todas as portas possíveis nos lançamentos anteriores do MacBook Pro e no atual modelo de 13 polegadas da linha, optando por oferecer apenas 3 portas Thunderbolt USB-C, a Maçã deu um pequeno passo para trás e voltou a trazer uma combinação maior de entradas.

Aqui, além das 3 portas USB-C, o modelo de 14 polegadas traz consigo uma porta HDMI, slot para cartão SDXC, entrada para fone de ouvido de 3.5mm e a tão aclamada porta MagSafe 3 para carregamento com encaixe magnético; que não víamos – em sua segunda versão – desde 2019, mas que estreou nos computadores da marca lá em 2006.

É válido lembrar que as 3 portas Thunderbolt 4 também são compatíveis com carregamento. Por isso, e pela volta das portas, ponto positivo para a Maçã.

Mas as novidades do modelo não acabam por aí. Além do teclado retroiluminado com acabamento preto, temos uma nova tela apelidada de Liquid Retina XDR. Além do notch, o novo display de 14,2 polegadas traz calibração de fábrica para fins profissionais e conta com a mesma tecnologia vista nos iPhones 13 Pro, que permitem taxas de atualização variáveis de acordo com o conteúdo exibido, permitindo chegar até os 120 Hz.

De resto, nada de muito diferente do que já vimos antes para os computadores da linha. Temos aqui um corpo inteiro de alumínio com 1,61 kg e 1,55 cm de espessura, teclado com TouchID para reconhecimento de impressões digitais e trackpad bastante espaçoso.

Consolidando a qualidade de construção, os alto-falantes embutidos trazem uma reprodução de som bastante encorpada, com bons médios, agudos e graves, entregando um volume surpreendente se levado em consideração o tamanho das saídas que ficam localizadas ao lado do teclado.

A câmera e o microfone, por sua vez, contam com a captação de áudio “de estúdio” e resolução de vídeo FullHD, sendo mais do que suficientes para participar de uma reunião sem um microfone ou câmera externa.

De forma geral, a experiência de uso da estrutura é muito boa; o teclado de mecanismo tesoura é ótimo para longas sessões de digitação e o sensor de digitais embutido é bem integrado ao sistema como um todo, permitindo não apenas o desbloqueio da tela, mas também o login em sites através do Safari, liberação de permissões para alteração do sistema e autorização de compras pelo Apple Pay.

Já o trackpad, por sua vez, conta com a tecnologia Force Touch para controle da pressão do clique e é bastante ágil, respondendo muito bem a todos os comandos dados e aos gestos integrados ao sistema.

macOS

E por falar em integração, chegamos ao macOS. Atualmente na versão Monterey, com as devidas atualizações disponibilizadas logo que a primeira sessão no MacBook Pro é iniciada, o sistema da Apple pode ser um verdadeiro choque para quem nunca teve uma experiência diferente do Windows.

No entanto, é impossível negar o quanto o sistema é sólido e como ele consegue se adaptar bem às fases de conhecimento do usuário, possuindo uma excelente curva de aprendizado mesmo com suas particularidades e comandos.

Além disso, sem sombra de dúvida, um dos pontos que se destacam é a integração entre o macOS e os sistemas que rodam nos outros dispositivos Apple. É possível transferir arquivos entre o MacBook e um iPhone ou iPad de forma simples através do AirDrop, atender chamadas do smartphone no computador, continuar a navegação no Safari em outro dispositivo ou a partir de outro dispositivo e muito mais; tudo de forma bastante simples.

Dongle life: passado ou realidade?

Como citamos na análise do MacBook Air, a vida baseada em dongles – seja ele apenas um adaptador ou hub completo – pode ser mais difícil ou mais fácil de acordo com o dispositivo que você tem antes de adquirir um novo MacBook.

No entanto, é impossível negar que nos modelos Pro de 14 e 16 polegadas essa transição pode ser muito mais simples. Isso, pois os modelos já possuem uma boa variedade de portas disponíveis. Logo, se você precisa conectar um cartão de memória, tem entrada. Se precisa usar um monitor externo, idem.

Com isso, é bem provável que você só precise de um adaptador USB-A para USB-C nos momentos que for necessário conectar um pendrive ou algum dispositivo externo sem cabo compatível com o novo padrão; e esse tipo de adaptador, diferente dos dongles e dos hubs, costumam ser baratinhos, não passando dos R$ 15 reais na maioria dos lugares.

Vale a pena?

De forma objetiva, o novo MacBook Pro de 14 polegadas não vale a pena se você estiver pensando em comprá-lo aqui no Brasil. Pelos mesmos R$ 20.500 cobrados nesse modelo base que temos em mãos, você viaja para os Estados Unidos, compra o mesmo modelo por R$ 11.500 reais e ainda conhece outro país.

Mas tirando o valor de lado – se é que é possível, é preciso que você também leve outros pontos em consideração para saber se o laptop é a escolha certa para você.

Primeiro, é preciso entender se a transição entre sistemas operacionais, caso você esteja vindo do Windows, e entre arquiteturas, não lhe trará problemas na sua rotina diária. Em segundo, é preciso avaliar se o tamanho do investimento é compatível com suas necessidades profissionais.

Caso a resposta para esses aspectos seja positiva, considerando o preço de uma eventual importação, é fácil afirmar que o MacBook Pro de 14 polegadas vale sim a pena; inclusive se levado em consideração a sua concorrência.

No Brasil, é bem difícil encontrar actualmente um modelo Windows que se equipare ao computador da Apple nos vários aspectos que levantamos aqui. Lá fora, notebooks de desempenho, portabilidade e autonomia semelhante ficam na casa dos U$$ 2.200; U$$ 200 a mais do que o valor cobrado pela Apple.

Logo, fica difícil não defender a Maçã se você for um profissional a procura do seu novo notebook.

Pontos positivos e pontos negativos

Desempenho e autonomiaBoa construção e portabilidadeVolta das portasTela de ótima qualidade

(Tudo celular)

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