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“Preferimos o investidor paciente”, diz economista chefe do Afreximbank

Afreximbank elogiou as reformas e os novos investimentos em Angola mais focados no bem-estar da população ao invés do enriquecimento de um nicho.

“Angola foi sempre um grande destino de investimento. Lembro-me de lá ir quando estava no Banco Mundial e ver uma série de jactos. Mas isso não era investimento certo”, recordou Hippolyte Fofack, o economista chefe do Afreximbank, à margem dos encontros anuais do banco que decorreram em Moscovo.

Para o banco, Angola é vista actualmente como um “estudo de caso” no processo político de combate à corrupção e elogiou as reformas feitas pelo Presidente João Lourenço. Esse investimento era muito direccionado para o “capital intensivo sem impacto na população”, algo que Fofack acredita que vai mudar: “A indústria em que estamos a insistir é de trabalho intensivo que ajuda a reduzir a desigualdade”.

Para o economista chefe, a desminagem do país vai permitir uma maior aposta na agricultura e existem projectos de indústrias locais, até na área farmacêutica, considerou. Em 2015, quando os preços das matérias-primas baixaram, “muitos que viviam em Angola saíram por causa da falta de liquidez”. “Os investidores foram em massa para Angola quando o petróleo subiu e depois fugiram quando o preço baixou. Isso é gente que quer o dinheiro rápido, mas nós preferimos o investidor paciente”, explicou Fofack. Resumiu, “é um estudo de caso” e Angola tem hoje como Presidente “alguém que está comprometido em colocar o país no caminho certo e melhorar a governação”.

“Perspectivas de multilateralismo numa era de proteccionismo” é o tema dos 26.ºs encontros anuais do Afreximbank, o banco pan-africano com sede no Cairo que tem como principal foco o financiamento e promoção do comércio e investimento no continente. O encontro ocorre três semanas depois de ter entrado em vigor o acordo de livre-comércio continental, que inclui 24 países, pelo que o debate centrou-se na diminuição das barreiras alfandegárias.

Na sua primeira fase operacional, o acordo de livre comércio, que entrou em vigor a 30 de Maio, visa eliminar as tarifas sobre 90% dos produtos de cada país, dinamizando o comércio entre as nações africanas, que agora é cerca de 17% do comércio total do continente, e em seguida será estendido aos serviços.

Uma vez operacional, esta será a maior área de livre-comércio no mundo, desde a fundação da Organização Mundial do Comércio (OMC) em 1995, com 1,2 mil milhões de consumidores e um produto interno bruto (PIB) combinado de cerca de 3,4 mil milhões de dólares (3% do mundo). (Mercado)

Por: Nilza Rodrigues

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