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Petróleo: Barril de Brent ganha passada de “johnnie walker” a caminho dos 60 USD – Consumo nos EUA dispara e nem as más notícias da pandemia parecem travar esta caminhada

Para os países exportadores de petróleo e com as economias estranguladas pela crise pandémica da Covid-19, estes são claramente tempos para comemorar, normalmente seria com "champagne" mas, devido à passada larga que o barril de Brent está a usar nesta caminhada para os 60 USD, o mais indicado é mesmo brindar com "Johnnie Walker", o famoso "joazinho caminhante" enquanto se espera para ver o "touro enraivecido" a subir pelos gráficos deixando para trás uma das mais pesadas crises da história da indústria petrolífera.

Na terça-feira, o barril passou a barreira dos 56 dólares em Londres, onde o Brent local determina o sobe e desce no preço das ramas exportadas por Angola, o que foi um feito notável ao bater um recorde de mais de 11 meses, e não se esperava que a sessão de hoje, quarta-feira, 13, pudesse ser melhor… mas foi.

Ao marcar 57.06 USD por barril, perto das 09:30, em Luanda, para contratos de Março, o Brent está a mostrar condições que lhe permitem auspiciar bater a barreira psicológica dos 60 USD, o que, de certa forma, consubstancia aquilo que é a previsão da Goldman Sachs para que o valor médio do crude atinja os 65 dólares ao longo de 2021.

E tudo, porque o Instituto Americano do Petróleo (API, na sigla em inglês), divulgou, já no final da tarde de terça-feira, que os stocks norte-americanos caíram bastante mais que aquilo que era esperado pelos analistas, uns estrondosos 5.8 milhões de barris numa única semana, contra os esperados 2,7 milhões, demonstrando que a maior economia do mundo e o maior consumidor de crude planetário está a “bumbar” como há muito não se via.

Esta subida importante do valor de mercado da matéria-prima resulta de um conjunto de factores bem conhecidos dos mercados, uns materiais, como os cortes na produção por parte da OPEP+, organização que junta a OPEP e a Rússia à cabeça de um grupo de 10 países não-alinhados, com o bónus de 1 milhão de barris por dia (mbpd) extra da Arábia Saudita, o início da campanha global de vacinação – excepção feita ao continente africano – e ainda o anúncio de forte injecção de dinheiro esperada nos EUA para impulsionar a economia logo que o democrata Joe Biden assuma o poder a 20 de Janeiro, ou ainda o actual baixo câmbio do dólarface às outras moedas “francas”, como o euro ou o iene.

E ainda a um determinante factor imaterial, como alguns analistas têm sublinhado, que é o incandescente optimismo que está a querer sair do buraco onde está desde o início de 2020, quando emergiu a crise pandémica da Covid-19, com o arranque das campanhas de vacinação a prometer o regresso ao “normal” em breve, o que pode ser mais ou menos tempo, embora garantidamente, se não houver surpresas, para este ano de 2021.

Os três grandes riscos

Mas há riscos, como sugere Crispus Nyaga, no site InvestingClube, sendo o primeiro o facto de que os países não estão a vacinar as suas populações tão rápido como inicialmente se esperava, o que vai levar a que a procura não acelere tanto como se premeditava. O segundo é a possibilidade de o fracking norte-americano poder baralhar as contas porque esta indústria alternativa está de novo a aumentar fortemente a produção na expectativa de melhores dias pós-pandémicos.

E em terceiro a possibilidade, muito provável, de que o dólar volte a ganhar valor contra as moedas concorrentes, o que vai influenciar negativamente o valor do crude. Face a este cenário, embora tudo esteja dependente de factores incertos, admitir que o barril possa chegar em breve aos 60 USD não é adivinhação ou qualquer outra formulação esotérica, mas também não o é antever que tudo pode colapsar se a Covid-19 não deixar de ser um problema substancial nas próximas semanas.

Isto, porque, para já, os países europeus e os EUA estão a preparar, alguns já em pleno acto,fortes confinamentos, semelhantes aos que foram implementados o início da pandemia, entre Março e Maio de 2020, que geraram,recorde-se, as maiores quebras no valor da matéria-prima em décadas, chegando mesmo ao recorde histórico de menos 40 USD no WTI de Nova Iorque.

Para Angola nem tudo é mau, mas… Este cenário de robusto crescimento do valor do crude, apesar de menos expressivo hoje, a manter-se, como tudo aponta que venha a suceder com o avanço e a consolidação das campanhas de vacinação, é um momento extraordinário para Angola, apesar de os valores em questão não se compararem com aqueles que, no passado, a partir de 2008, levou o País a ser o maior produtor africano durante largos meses, com cerca de 1,8 mbpd, e a viver uma bonança difícil de repetir, com o barril, como exemplo, a chegar aos 147 USD no Verão desse mesmo ano.

A produção actual está abaixo dos 1,3 mbpd e em constante declínio devido ao desinvestimento das “majors” a operar no offshore nacional, especialmente a partir de 2014, quando se verificou uma quebra abrupta do valor do barril, que passou de mais de 120 USD para menos de 30 dois anos depois, em 2016.

Apesar das mudanças substanciais na legislação referente ao sector e às alterações profundas nesta indústria decisiva para o País, a produção demora a arrancar para os patamares mais próximos daqueles que se viram no passado. Para já, com o barril da matéria-prima nos 56 USD, o Executivo de João Lourenço conta com uma folga de 23 USD em cima dos 33 USD que foi o valor usado como referência para a elaboração do OGE 2021, o que permite encarar com maior optimismo esta saída esperada da crise mundial, apesar dos fortes constrangimentos que a economia nacional enfrenta.

O crude é ainda responsável por mais de 94% das exportações angolanas, mais de 50% do PIB e representa 60% das receitas do Executivo para poder gerir as necessidades da governação, o que, face a uma lenta e demorada diversificação da economia nacional, se traduz numa mais optimista entrada no novo ano e nova década do século XXI. (Novo Jornal)

Por: Ricardo Bordalo

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