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Negócios Angola-Turquia reforçam peso comercial

Os empresários angolanos e turcos contam com o apoio dos respectivos Governos para o reforço das trocas comerciais e fixação de novos investimentos, sobretudo, privados.

No segundo Fórum Económico – Empresarial, realizado, segunda-feira(18), em Luanda, os Presidentes João Lourenço e Recep Tayyip Erdogan manifestaram aos investidores dos respectivos países a vontade de verem aumentado o actual volume de negócios e uma cooperação mutuamente vantajosa.

Ambos os Chefes de Estado admitiram que, após o primeiro encontro em Julho deste ano, na cidade de Ancara, na Turquia, a actual missão de negócios a Luanda tira das intenções para a prática os acordos e compromissos assumidos.
Segundo o Presidente Recep Tayyip Erdogan, para além da criação de uma rede de homens de negócios, há também interesse de ver os empresários angolanos alinhados ao sistema de negócios vigente na Turquia de  forma a contribuírem para o reforço da cooperação  bilateral.

Por sua vez, o Presidente João Lourenço anotou que, em menos de 60 dias, isto é, após a visita em Julho à Turquia, importantes missões empresariais turcas passaram por Luanda. O facto, segundo o Chefe de Estado, é revelador do interesse e da atractividade do mercado angolano.

Disse que Angola pretende atrair investidores da Turquia que tragam à nossa economia não só capital financeiro e tecnologia avançada, mas que tragam sobretudo know-how que nos permita diversificar e aumentar com rapidez e eficiência a nossa produção interna de bens e de serviços.

“Os dois últimos meses têm sido demonstrativos do interesse que o empresariado turco tem pelo mercado angolano. Têm-se intensificado as visitas de importantes grupos empresariais turcos ao nosso país, o que demonstra a confiança e a vontade destes em investir em Angola.

Tudo faremos para que estas manifestações de interesse se transformem em investimentos concretos e contribuam para o crescimento da economia angolana, para a geração de empregos qualificados para a juventude e para a inserção de Angola nas grandes cadeias do mercado global, através da adopção de tecnologias avançadas, das melhores práticas empresariais e das experiências e capacidades que são reconhecidas aos empresários turcos”, indicou.

Angola e a Turquia estão agora mais próximas através da ligação aérea directa entre Luanda e Istambul, recentemente inaugurada. O Jornal de Angola sabe que os bilhetes para Turquia, vendidos a partir da rede da TAAG custam cerca de 700 dólares (pouco mais de 400 mil kwanzas), valor abaixo dos mais de 600 mil kwanzas cobrados noutras companhias que fazem até aqui a mesma rota.

É convicção das partes que as ligações aéreas vão, certamente, permitir o aumento das trocas comerciais entre os dois países e o incremento das viagens de negócios e de turismo entre os cidadãos e empresários. O Presidente João Lourenço reiterou a abertura de Angola ao mundo de negócios, contando para tal com os empresários da Turquia.

Reformas visam melhoria do ambiente
A aposta em reformas profundas na economia têm como fim último a melhoria do ambiente de negócios, que inclui, entre outros aspectos, a estabilização macroeconómica do país, indicou o Chefe de Estado angolano, ontem, ao discursar no Fórum Empresarial Angola – Turquia.

João Lourenço apontou também a criação de um quadro legal facilitado para os investidores, a aposta na desburocratização e simplificação dos serviços da administração pública e a facilidade dos investidores fazerem o repatriamento dos dividendos em tempo oportuno e sem quaisquer restrições como parte de um pacote que visa atrair, continuamente, investimentos e investidores. Nesse sentido, disse, o quadro legal do investimento privado em Angola contempla incentivos que são atractivos e que contribuem para a competitividade das empresas no mercado nacional e internacional.

“Fruto das reformas que temos desenvolvido em Angola, as agências internacionais de rating, e em particular a Moody´s, reviram em alta a notação de risco da dívida soberana de Angola, o que é certamente um factor de credibilidade em relação à economia e um elemento muito importante para aumentar a confiança dos investidores estrangeiros no nosso país”, apontou.

Sectores prioritários identificados
O Executivo angolano tem identificado os sectores prioritários para o investimento no âmbito do sector privado e está aberto para que empresas turcas participem no desenvolvimento das infra-estruturas públicas, através de parcerias público-privadas nas diferentes modalidades.

De acordo com o Presidente João Lourenço, projectos de construção de estradas, pontes, caminhos-de-ferro, centrais eléctricas e respectivas redes de transportação e outros projectos lideram as prioridades.

Conforme recordou, na intervenção feita no fórum económico Angola – Turquia em Julho, na Turquia, o Chefe de Estado angolano referiu que o país tem particular interesse em acolher investimentos de empresas turcas na área da indústria de produção de materiais de construção, montagem de automóveis e motorizadas, de produtos electrónicos e electrodomésticos, na indústria têxtil, de vestuário e calçado, na indústria de produção farmacêutica, produção de tractores, alfaias e outros equipamentos e suplementos agrícolas, na indústria de produção de fertilizantes e sementes para a agricultura.

“Já contamos com investimentos turcos de grande dimensão na exploração do mineiro de ferro e produção do aço, mas dispomos de outros minérios, como o ouro, o cobre e metais raros por explorar, e para os quais também são convidados investidores turcos”, reconheceu.

Está, de igual modo, disponível, de acordo com o Presidente João Lourenço, um pacote de empresas e activos públicos em processo de privatização no todo ou em parte, incluindo activos do sector petrolífero, da banca e seguros, de grandes fazendas agrícolas e de indústrias importantes, para os quais são convidados investidores e empresários turcos a participarem dos concursos internacionais em andamento.

Além disso, conta-se ainda com os turcos nas parcerias público-privadas, nos grandes projectos a realizar na modalidade “Constrói, Opera e Transfere”, em inglês BOT.

Turquia quer negócios de 50 para 500 milhões
O Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, deu garantias de que o seu país vai tudo fazer para que o volume de negócios entre os dois países seja estendido de 50 para 500 milhões de dólares norte-americanos.
Para o estadista turco, é obrigação dos dois Presidentes eliminarem todas as barreiras possíveis para que os empresários tenham acesso às oportunidades de negócios.Nesse caminho, a facilitação dos vistos para que os empresários possam expandir os negócios é tida como prioridade. Por outro lado, o Presidente turco anunciou que estão em curso acções que visam o fortalecimento da  cooperação a nível da banca para  facilitar as transacções comerciais entre os dois países. Disse que o seu país pretende estabelecer em Angola um hospital escola,   visando contribuir para a melhoria  do sistema sanitário. De igual modo, avançou que a Turquia quer apoiar com conhecimento os países africanos que se predisponham  em investir na indústria militar. Destacou as ligações aéreas entre Angola e Turquia que irão  facilitar as deslocações de empresários de ambos os  países.

José Severino
Energia dinamiza acção da indústria

O presidente da Associação Industrial de Angola (AIA), José Severino, afirmou, segunda-feira (18), que a cooperação Angola-Turquia deverá desenvolver importantes projectos de energia na Região Leste e Sul.Para José Severino, se no Sul, concretamente no Namibe e Huíla, há ainda por se garantir produção, no Leste, a missão é criarem-se redes de transporte capazes, pois há ali mais produção do que consumo e isso poderá também fazer com que os turcos olhem para a fixação de indústrias como oportunidades.

O industrial entende que os euroasiáticos podem, de igual modo, ser um parceiro indispensável no sector dos transportes. Também deve-se garantir, para José Severino, a presença de investimentos turcos em áreas como a dos recuros minerais e gás, captando-se recursos para o projecto de gás natural. (Jornal de Angola)

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