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Manuel Vinhas: Vida fascinante de um mecenas

Poucas figuras em Angola se encaixam no conceito de mecenas como o empresário Manuel Vinhas. Ainda está por se escrever uma História crítica do processo de criação (e pilhagem) de riqueza nas antigas colónias. Mas, Manuel Vinhas distancia-se muito bem desta perspectiva.

Nesta exemplar “mini-biografia” da Visão, é traçado o retrato de um dos maiores mecenas que já existiu em Angola. Tendo herdado alguns negócios da família em Portugal, Manuel Vinhas traz os seus investimentos para Angola nos anos 1950, formando primeiro a Companhia União de Cervejas de Angola (CUCA). A cerveja era importada, mais cara, por isso a Cuca foi um sucesso imediato. Criou ao todo 50 empresas no país e chegou a ser dono de quase toda zona industrial do Cazenga.

“Para mim foi o melhor industrial e melhor investidor que Angola já teve, de todos os tempos, até hoje. Sabia investir. E era um homem extrovertido, que gostava de viver a vida”, conta à revista o ex-diplomata Hermínio Escórcio, uma das pessoas que conviveu com o empresário. “Angola precisava de mil Manuel Vinhas”, diz, sobre o homem que acabou  no exílio no Brasil um ano após o 25 de Abril, tendo as empresas em Angola sido nacionalizadas depois da independência…

Foi ainda um dos fundadores do Banco Comercial de Angola, que ergueu o edifício mais alto das colónias, finalizado em 1967.
Tendo patrocinado vários eventos, festas, artistas, escritores, Manuel Vinhas fica associado aos primeiros torneios de futebol com mais de 30 mil pessoas nos Coqueiros. Façanha da época bem explicada na revista por Justino Fernandes, amigo do mecenas e que chegou a trabalhar na Cuca. Dionísio Rocha, do então Negoleiros do Ritmo, também se junta às declarações de elogio ao mecenas e amigo no incentivo ao seu trabalho.

Diz-se que era a favor da auto-determinação de  Angola e que registos da PIDE revelam tentativas de o empresário contactar dirigentes nacionalistas como Holden Roberto. Foi igualmente associado ao MPLA e a Mário Pinto de Andrade.
O certo é que sustentava o consultório que Agostinho Neto abriu quando este regressou a Luanda já formado em Medicina.

Conta-se que havia um bar chamado América que não aceitava negros ou mestiços. Manuel Vinhas construiu outro na mesma rua, gerido por William Tonet (pai, acho). Chamava-se Ngola e foi inaugurado pelo conjunto Ngola Ritmos. Só vendia Cuca e conhaques. Tinha um aviso em grande destaque: “Servimos Todas as Raças”. (Jornal de Angola)

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