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Longas filas nas caixas multibanco em Luanda. Angolanos irritados com enchentes pedem explicações

A situação verifica-se todos os meses, por altura do pagamento dos salários à função pública.

Vários cidadãos angolanos manifestaram-se agastados com o cenário de enormes filas nas caixas automáticas, em Luanda, situação que se verifica todos os meses, por altura do pagamento dos salários à função pública.

As pessoas ouvidas pela agência Lusa apelaram às autoridades para que resolvam a situação, que consideram “um sofrimento” para o povo angolano e “uma falta de respeito” para com os clientes dos bancos.

Lenin Jerónimo, que se deslocou na quarta-feira a um terminal “Multicaixa” para levantar algum dinheiro, relatou que desde segunda-feira tem enfrentado dificuldades, devido às enchentes nas caixas automáticas (ATM).

Por sua vez, Marcial Barros, vendedor ambulante, realçou que as enchentes coincidem com a altura em que os funcionários públicos recebem os seus salários.

AMPE ROGÉRIO/ LUSA

Segundo Marcial Barros, “no sábado passado, a cidade de Luanda ficou sem dinheiro nos ‘caixas’, e era muita gente de cima abaixo [à procura de dinheiro], parecia uma guerra”.

Para o vendedor, os bancos deviam usar um outro método para resolver o problema da população, tendo em conta que nos balcões existe um limite de levantamento diário até 100.000 kwanzas (132 euros).

A situação, acrescentou Eduardo António, tem causado até problemas a nível laboral, já que muitas vezes as pessoas têm falta devido ao tempo que demoram fora dos seus postos de trabalho.De acordo com Eduardo António, as aglomerações que se verificam nos ‘multicaixas’, visíveis em toda a capital angolana, vão contra os apelos que as autoridades sanitárias têm feito para prevenção da covid-19.

Joaquina Lourenço deslocou-se também na quarta-feira a um multibanco para um levantamento, depois de já ter tentado durante o fim de semana e nos últimos dois dias.

Para a funcionária pública, isto é “uma falta de respeito com o cliente do banco”, que se vê obrigado a deslocar-se de um bairro para outro.

AMPE ROGÉRIO/ LUSA

Joaquim Caniço, administrador executivo da EMIS – Empresa Interbancária de Serviços, que gere a rede Multicaixa, adiantou à Lusa que não têm havido anomalias no funcionamento das caixas, pelo que se trata de uma questão de logística da responsabilidade dos bancos.

O responsável da EMIS salientou que a procura por numerário acentua-se no final de cada mês devido aos pagamentos dos salários e pensões, e consequentemente, os esforços de logística dos bancos.

A Lusa dirigiu várias questões ao Banco Nacional de Angola (BNA), mas não obteve resposta até ao momento.

No entanto, o BNA divulgou na quarta-feira à noite, no seu ‘site’, uma informação relativa ao uso alargado dos cartões da rede Multicaixa para pagamentos, realçando que este tem sido crescente.

Além de recomendar o uso do cartão multicaixa para pagamentos em estabelecimentos comerciais, o BNA aconselha os comerciantes a instalarem terminais de pagamento automático, tendo sido facilitado o acesso para pequenos comerciantes, através da ‘Conta Simplificada para Fins Comerciais’.

O BNA insta também os bancos “com limitada capilaridade” a contratarem ‘Agentes Bancários’ para apoiar necessidades de levantamento de pequenos montantes. (Sic Notícias)

 

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