Economia

Instalações da Filda foram vandalizadas

As instalações da Feira Internacional de Luanda (Filda), abandonadas há três anos, encontram-se num avançado estado de degradação, com relatos de guardas e de trabalhadores das duas empresas que ainda não desistiram do recinto, a lamentarem a autêntica vandalização a que o espaço foi submetido pelos seus novos inquilinos.

O espaço, indicam relatos iniciais obtidos pelo Jornal de Angola, está permanentemente ocupado por marginais e aloja, a tempo inteiro, a toda a sorte de actividades nada  recomendáveis, algo parcialmente admitido por um guarda de protecção do local que aceitou falar à nossa reportagem.
Francisco dos Santos, que trabalha há um mês numa empresa de instalação de quadros eléctricos estabelecida no local, denunciou que, regularmente, grupos de 30 ou mais pessoas aparecem no local para saquear o pouco que resta nos pavilhões destruídos.

“Estes grupos vêm sempre dispostos a levar qualquer objecto: Quando o fazem, dizem que tudo pertence ao Estado e que é de direito levar os materiais e peças”, afirmou.
Com os portões vandalizados e sem ninguém para os assegurar, os serviços de protecção das duas empresas que ali prevalecem estão vigilantes 24 horas por dia. Mesmo assim, no local, até o chão de mosaico foi partido.
A Filda possui duas entradas públicas. A segunda era muito requisitada pelos expositores por ter uma sala de conferências que se chamava “Espelho de Água”, um espaço dilecto para a Filda, onde se promoviam seminários e conferências nacionais e internacionais.

Os debates incisivos e profundos que ocorriam naquele espaço e os seus casuais frequentadores enfatuados foram substituídos por uma lagoa verde de água putrefacta, urina e excrementos.
Um mural com centenas de fotos bolorentas pendurado nas paredes, ilustrando rostos conhecidos e ainda muitos activos da vida institucional e empresarial angolana, lembram que a degradação foi rápida e implacável.

Abandono e indefinição
O que conduziu a imponente Filda a este estado, foi uma indefinição ocorrida em 2016, quando a Feira Internacional da Luanda (FIL), sociedade gestora das instalações e que se especializou na organização de exposições, abandonou o negócio na sequência da crise económica que se instalou em 2014, afugentando os investidores.

A FIL co-organizava a Fei-ra Internacional de Minas de Angola (FIMA), a de construção, Projeckta, Expo Lwi-ni, Agro Angola, Ambiente Angola, Expo Tics, Okavan-go Angola, Educa Angola e ExpoTrans.
A directora do Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa do Ministério da Economia e Planea-
mento informou que a gestão das instalações da Filda passaram, desde então, a estar sob a responsabilidade do Ministério das Finanças, que superintende  as empresas públicas.

“A FIL é uma empresa criada com fundos públicos e está sob a responsabilidade do Ministério das Finanças”, declarou Ana Celeste quando indagada pela nossa reportagem. A directora lembrou que, para cobrir a ausência da FIL, o Ministério do Economia e Planeamento instituiu uma parceria com a Eventos Arena para a realização da 34.ª Filda, que de-corre em Julho, algo anunciado ao público ao longo do mês de Maio.

Os que ficaram
A operadora Unitel e o Banco de Poupança e Crédito (BPC) são as únicas empresas dignas do nome que ainda prestam serviços ao público no recinto, mas, durante o tempo em que a nossa reportagem se manteve no local, não viu qualquer afluência pública.
A decisão do Ministério do Planeamento de, a partir deste ano, passar a realizar a Filda na Zona Económica Especial (ZEE), acabará por fazer com que estas duas empresas também desistam do local, deixando-o aos seus actuais soberanos: salteadores e outros cultores dos maus costumes.

  Deixados a sofrer e com as vidas inviabilizadas

A decisão de passar a organização da Filda encobre a sorte madrasta que se abateu sobre a imensa maioria, senão sobre todos os 66 trabalhadores da FILDA, caídos no desemprego no auge da crise económica que se abateu sobre Angola em 2014.
Os relatos obtidos revelam vidas inviabilizadas, como a da antiga tesoureira Marcelina Tumaneipo, que entrou para a Filda com 22 anos. Hoje, aos 53, viu-se obrigada a recolher latas de alumínio nas ruas para garantir sobrevivência dos seus quatro filhos. “Três anos sem salário deixou-me sem opções e comecei a recolher latas para uma fábrica que paga 20 kwanzas por quilo”, disse.

O electricista industrial com 35 anos de casa Américo José vê-se a braços para sustentar os seus oito filhos, dois dos quais concluíram o ensino médio e não entraram para a  universidade por falta de possibilidades financeiras.
Joaquim  Cassuende, aos 62 anos de idade, quer apenas entrar para reforma de forma digna: “entrei para a empresa em Outubro de 1984. Toda a minha vida foi entregue a esta empresa e agora estamos sem destino”, lamentou. (Jornal de Angola)

Por: Natacha Roberto|

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