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Emissões de dívida de países lusófonos em moeda chinesa são benéficas para todos – Banco da China

A directora-geral do Departamento de Instituições Financeiras do Banco da China disse hoje à Lusa que o banco está "em contactos" com vários países lusófonos sobre uma eventual emissão de dívida em moeda chinesa.

“Temos alguns contactos, mas há coisas que temos de manter confidenciais, mas a emissão de títulos de divida em moeda chinesa é possível e é benéfica para ambas as partes”, respondeu Wendy Sun Min quando questionada sobre uma possível emissão de dívida soberana de Angola ou Moçambique em renminbis.

Em entrevista à Lusa na filial de Macau do Banco da China, a responsável pelo contacto com as instituições financeiras internacionais lembrou que a moeda chinesa já faz parte das moedas aceites internacionalmente para emissão de dívida soberana “e por isso mais países estão a tomar atenção ao renminbi, de forma a terem algumas reservas nesta moeda”.

Os títulos de dívida de um país emitidos em moeda chinesas são conhecidos como ‘pandabonds’, e Portugal é um dos países que se prepara para lançar dívida pública nesta moeda.

“A economia de Portugal está a melhorar, há bastante liquidez, as pessoas estão à procura de oportunidades e antes não estavam familiarizadas com o mercado chinês, e nós queremos ter a oportunidade de nos apresentarmos e mostrar as oportunidades de investimento para o mercado europeu e, em especial, para o mercado português”, disse Wendy Sun Min.

Em Outubro, Lisboa e Pequim assinaram, através da Caixa Geral de Depósitos e do Banco da China, um acordo que prevê a emissão de dívida pública portuguesa em renminbi.

Este foi um dos 17 acordos bilaterais formalizados durante a visita do Presidente chinês, Xi Jinping, a Portugal, no ano passado, que surgiu no seguimento da autorização dada pelo banco central chinês, em 2017, à emissão de dívida portuguesa nesse país.

Portugal é o quinto maior destino de investimento estrangeiro da China, num montante que já ultrapassou os nove mil milhões de euros desde o princípio desta década, mil milhões dos quais foram canalizados através da intervenção ou mediação do Banco da China, concluiu Wendy Sun Min.

Macau e os países lusófonos

Wendy Sun Min disse ainda nesta entrevista que Macau “tem orgulho em ser a plataforma” de investimento chinês em Portugal e nos mercados lusófonos.

“Temos muitos recursos para apoiar o investimento nos países de língua portuguesa, e o Governo de Macau quer muito ajudar as empresas locais e chinesas porque pensam que é nossa responsabilidade, nós temos orgulho em ser a plataforma de investimento direccionado para Portugal”, disse Wendy Sun Min.

Em entrevista à Lusa na filial do Banco da China em Macau, a responsável pelo relacionamento do banco com as instituições financeiras internacionais vincou que as empresas chinesas e portuguesas têm “muitas vantagens” um usar Macau como plataforma de investimento e exemplificou com a China Construction, uma das maiores empresas chinesas no setor da construção civil e obras públicas.

“Macau tem muitas vantagens, por exemplo a China Construction expandiu a sua actividade para Portugal e o director-geral em Portugal dantes trabalhava em Macau”, exemplificou.

Wendy Sun Min indicou que “uma das coisas boas de Macau é que, como há muitas pessoas que falam chinês e português, se as empresas quiserem investir em países de língua portuguesa, vão precisar de alguém que fale a sua língua e também português, e é mais fácil encontrar estes profissionais em Macau por causa das relações históricas, tornando Macau numa plataforma para as empresas chinesas investirem nos países lusófonos”.

Após mais de 400 anos sob administração portuguesa, Macau passou a ser uma Região Administrativa Especial da China a 20 de Dezembro de 1999, com um elevado grau de autonomia acordado durante um período de 50 anos. (Novo Jornal)

 

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