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Banco do MPLA destapa conflito de interesses

Banco Sol aposta numa nova estratégia, mas dificilmente deixará de ser uma dor de cabeça para o sistema bancário em Angola

Banco Sol foi dirigido nos últimos nove meses por Mário Nascimento. Este antigo secretário de Estado das Finanças remeteu aos acionistas, antes de abandonar em fevereiro a instituição, um relatório onde destapa “os graves problemas de solvabilidade e de liquidez” do banco, com “origem na má qualidade da carteira de crédito e nos elevados custos de estrutura”.

Esta versão é contestada por Miguel Coutinho, presidente do conselho de administração, que, em declarações ao Expresso, garante que “o banco tem monitorizado sempre com rigor a sua carteira de crédito de forma a evitar a ocorrência de imparidades acentuadas”.

De acordo com o relatório do último presidente da comissão executiva, amparado por um parecer da Ernst & Young (EY), o Banco Sol regista preocupantes conflitos de interesses traduzidos na atribuição de créditos, sem garantia, a empresas dos acionistas.
Os conflitos de interesses estendem-se à incorporação na sua estrutura de negócios de empresas de acionistas e de administradores como fornecedoras do banco.

“Alguns funcionários eram incentivados a adquirir créditos junto da instituição para viabilizar projetos imobiliários de clientes e outros custos eram agravados ao ser proporcionado aos administradores e aos diretores doações de viaturas quando nomeados ou 150 mil dólares para a compra de habitação”, lê-se no documento.

Miguel Coutinho reconhece a atribuição de créditos a colaboradores no âmbito da “responsabilidade social a que o banco se obriga”, nega o envolvimento de “empresas do universo de acionistas como fornecedores” e garante a “contratação no mercado dos serviços de melhor qualidade técnica e custos”.

Os peritos da EY mostram-se, porém, preocupados com a elevada concentração de crédito nos 20 maiores devedores, com especial destaque para o Entreposto Aduaneiro de Angola, cuja exposição ultrapassava 25% dos fundos próprios nos primeiros quatro meses deste ano.

O desnorte instalado na gestão do banco é tido como a causa da implementação de uma estratégia desadequada, assente em investimentos em imóveis de uso próprio, de elevado valor e com custos de manutenção avultados.

O relatório revela ainda que alguns investimentos em imóveis, com recurso a valores tomados no mercado interbancário, chegaram a ter como fonte liquidez que o banco não tinha.Outra crítica prende-se com a reestruturação e apetrechamento do edifício sede por cerca de 18 milhões de dólares, num investimento que acabou por tornar “excessivo o peso dos ‘outros ativos tangíveis’ no total do ativo”.

Com zonas cinzentas, “na avaliação e gestão dos riscos dos clientes e no acompanhamento dos créditos concedidos”, a resolução do grave problema de liquidez constitui agora a preocupação dominante dos acionistas do Banco Sol, detido em 51% pela Sansul, uma participada da GEFI, a holding do MPLA. (Expresso)

Por: Gustavo Costa

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