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As fraquezas do continente negro

Países africanos são extremamente dependentes, apesar de na sua maioria serem potencialmente ricos.

A maior parte dos países africanos obteve a sua independência das potências europeias, há mais de 60 anos e até a presente, 2020, estes, têm os seus habitantes a viver num subdesenvolvimento atroz, ao contrário das lideranças que vivem numa ostentação ofensiva.

Há alguma coisa nos líderes africanos, que não é normal. Ou seja, apesar de maior parte do território africano ser potencialmente rico em recursos naturais, os mesmos em nada beneficiam as populações locais, em virtude da forma como são geridos pelos governantes.

Realmente, é estranho que a grande maioria senão todos os países, não consigam produzir para garantir alimentos nem manter sistemas de saúde aceitáveis para os seus cidadãos. Também não consigam fornecer água potável, garantir o saneamento básico, enfim, não consigam assegurar serviços básicos.

O conceito de independência transmitido aos cidadãos é que “os colonos foram embora e agora temos os nossos Presidentes e Governos, sendo isso sinónimo de independência”. Será realmente que ter um Presidente indígena (natural, nativo) e um Governo igualmente de indígenas, torna o país independente?

É evidente que actualmente não existe nenhum país que possa dizer que é totalmente independente, pois há uma natural interdependência entre os países, fazendo com que dependam uns dos outros, relativamente a algumas coisas. Mas, há aqueles que atingem uma maior autonomia e consequentemente são mais independentes que aqueles que dependem inteiramente de terceiros para continuarem a sobreviver.

Analisando fria e objectivamente, os países africanos verificamos que a sua dependência relativamente às ex-potências coloniais ou a outros países mais desenvolvidos, é extremamente grande, podendo dizer-se quase total, para maior parte deles. Até mesmo politicamente, há uma grande dependência dos modelos europeus. Mas é principalmente economicamente que são extremamente dependentes, apesar de na sua maioria, serem potencialmente ricos.

No caso de Angola, a nossa dependência vai muito mais longe, pois somos incapazes de termos sequer medicamentos para tratarmos da nossa saúde e de um modo geral, em todos os outros sectores económicos.

Exemplos concretos Para se perceber melhor o que se passa, avancemos para exemplos concretos, com vista a tentarmos entender o que pretendemos transmitir. A riqueza de cada país é medida pelo seu PIB (Produto Interno Bruto), que é calculado em mil milhões de dólares. Vejamos o caso de um pequeno país europeu, a Holanda, que tem uma área de cerca de 41.543km2, cerca de 20% dos quais roubou ao mar, com um sistema de diques. O PIB deste pequeno país, em 2017, foi de cerca de USD 826 mil milhões e tinha uma população de cerca de 17,2 milhões de pessoas.

O PIB (2017) do conjunto dos países da região da SADC, exceptuando-se a África do Sul (que era de USD 767,0 mil milhões, 1.220.000km2, 56.72milhões de pessoas); era de USD 744 mil milhões, ocupam uma área total de 8.652.537km2 e uma população de 285.737.762 habitantes. Percebe-se claramente que há uma disparidade enorme entre a superfície destes 14 países africanos da SADC, que é de 208,2 vezes maior que a da Holanda e a sua população é maior 16,6 vezes, sendo que o PIB ainda assim é inferior em usd82 mil milhões.

Estes 14 países africanos, se tivessem a capacidade de produzir e gerar riqueza que a Holanda tem, com a extensão territorial, recursos hídricos e climas que possuem, seguramente produziriam alimentos suficientes para alimentar maior parte da humanidade, já que a Holanda naquele minúsculo território, é um dos maiores produtores mundiais de hortícolas.

Para além dessa enorme capacidade de produção agrícola, ainda detêm um grande parque industrial, onde produzem as mais variadas coisas, desde automóveis a aviões e ainda tecnologia de ponta, para seu próprio uso e para exportação, tal como no sector agrário. Ainda são dos maiores produtores mundiais de sementes para a agricultura.

Perante o quadro acima, necessariamente teremos de concluir, que a diferença que existe entre os países em análise, é a qualidade dos recursos humanos. Esse é efectivamente o grande diferencial, que justifica a grande diferença de capacidade entre estes países.

De acordo com o que se pode encontrar no Google, os recursos que este pequeno país investe no sistema de ensino, são equivalentes a cerca de 6% do seu PIB, ou seja, algo em torno de USD 49,5 mil milhões. É um montante significativo e de acordo com a mesma fonte é o 15º maior do mundo.

Esta análise parece fundamental, para que se perceba efectivamente o que pode tornar um país, se não totalmente independente, mas com um nível impressionante de autonomia, pois a sua capacidade de geração de riqueza é tão grande, que tem reservas suficientes para adquirir aos países pobres (que não investem na formação dos seus cidadãos), as matérias-primas que estes possuem em abundância, mas que não sabem transformar, transformando-as e revendendo-as aos mesmos países acrescidas de um bom lucro.

Na realidade, a independência de um país, tal como a de um indivíduo, está directamente ligada a sua capacidade de gerar riqueza para si próprio, garantindo-lhe isso uma grande autonomia de decisão sobre o seu próprio destino. Se um país, não consegue por si só alimentar os seus cidadãos, fica dependente de terceiros para se prover de alimentos.

Se ainda não conseguir produzir as ferramentas, os instrumentos e as máquinas de que precisa, para produzir, então, ainda mais dependente se torna e assim com o resto das suas necessidades, isso levá-lo-á a ter de entregar os seus recursos naturais a preços irrisórios, aos países mais desenvolvidos, que os transformarão e os venderão de novo, com bastante lucro, perpetuando o ciclo de pobreza, gerado pela falta de investimentos sérios na formação dos seus cidadãos.

É urgente desmistificar a ideia de que os europeus (brancos), são muito mais inteligentes que os outros povos e raças do mundo, porque isso não corresponde a verdade, já que aqueles países que se despiram desse complexo de inferioridade, estão avançando rapidamente e exemplo disso são os países orientais, que vêm avançando impetuosamente em direcção ao desenvolvimento.

Aqueles que entenderam que para se atingir uma maior independência económica e política, teriam de investir seriamente nos seus recursos humanos, estão conseguindo alcançar os seus objectivos. Singapura, Coreia do Sul e Emiratos Árabes Unidos, são alguns dos exemplos que podem ser seguidos.

Investimento no conhecimento

A receita para se alcançar o desenvolvimento económico e social é muito mais simples do que parece a primeira vista. Os países desenvolvidos e os que estão se desenvolvendo rapidamente, para conseguirem esse objectivo, andaram e andam todos eles, sem excepção, por um único caminho, que se chama CONHECIMENTO. Não há outro caminho!

Para os países africanos saírem da extrema pobreza em que se encontram, apesar de maior parte deles possuírem vastos recursos naturais e largas extensões de terras e variados climas, apenas precisam de adquirir, ou melhor, de dotar os seus cidadãos de conhecimentos técnicos e científicos sólidos, que lhes permitam criar as melhores soluções para os problemas que se lhes apresentem. Só assim, se conseguirá sair da pobreza e consequentemente da extrema dependência a que sujeitam as suas nações.

É evidente que é de interesse dos países ricos, que os governantes dos países africanos, continuem imbuídos da ideia de que, para conseguirem desenvolver os seus países, necessitam de recursos financeiros enormes e como não dispõe deles, têm de estender a mão aos ricos, para serem supridos. Naturalmente que isso não produz esses efeitos, ao contrário, empobrece cada vez mais os que já são pobres. O que gera a riqueza é o conhecimento e não o dinheiro, pois também este, é gerado pelo conhecimento. (A Pátria)

Por: Fidelino Queiroz

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