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Angola sai da ‘lista negra’ das economias hiperinflacionárias

No ano passado a ABANC preparou um documento defendendo que não basta uma economia ter uma inflação acumulada no triénio superior a 100% para ser considerada hiperinflacionária. Este argumento foi “olimpicamente” ignorado pelas maiores firmas de auditoria do Mundo em 2017 e 2018.

Dois anos depois Angola vai sair da “lista negra” das economias classificadas pelas firmas de auditoria como hiperinflacionárias, já que, de acordo com cálculos do Expansão, deixou de ter taxas de inflação acumuladas nos últimos três anos próximas ou superiores a 100%.

Com a inflação homóloga no final de 2019 a baixar ligeiramente para os 16,9% a nível nacional, a inflação acumulada nos últimos três anos passa de 105% (2015-2018) para 75% (2016-2019), segundo os cálculos do Expansão.

A classificação como economia hiperinflacionária é uma decisão exclusivamente técnica tomada anualmente pelas seis principais empresas de auditoria a nível global: PwC, acrónimo inglês de PricewaterhouseCoopers, EY ou Ernst & Young, KPMG, Delloite, BDO e a Grant Thornton. A elaboração desta lista está relacionada com a aplicação da IAS 29 que obriga as empresas que utilizam essas normas contabilísticas a procederem ajustamentos nas suas contas quando operam em países com elevados níveis de inflação.

O objectivo da IAS 29 é ter em conta a perda de poder de compra das moedas nacionais e tornar comparáveis as demonstrações financeiras de dois exercícios consecutivos de empresas que operam em países com hiperinflação.

No ano passado, a Associação Angolana de Bancos (ABANC) lançou um comunicado no seu site onde defendia que não estavam reunidas as condições que justificavam a aplicação da Norma Internacional de Contabilidade NIC 29 (IAS 29) – Relato Financeiro em Economias Hiperinflacionárias para o exercício que terminava a 31 de Dezembro de 2018. Isto porque, justificou, a inflação acumulada dos últimos três anos em Angola seria superior a 100% mas argumentava que isso se devia ao ano “excepcional” de 2016, quando a inflação anual bateu nos 42%. (Expansão)

Por: Martins Chambassuco

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