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Lioveras e Mwasessa são as estrangeiras com mais títulos no 1º de Agosto

Em entrevista ao Jornal de Angola, abordaram a trajectória desportiva no conjunto militar e o dia a dia em Luanda. Nascida a 12 de Março de 1985, em Lubumbashi, Congo Democrático, Mwasessa, lateral esquerda de 70 quilos, 1,75 de altura, chegou em Outubro de 2014, ao actual campeão angolano. Naquele clube, conquistou seis Taças dos Clubes Campeões, quatro títulos do Campeonato Nacional, igual número de Taças dos Vencedores das Taças e da Supertaça “Babakar Fall”, além da edição inédita da Woman SuperGlobe Mundial de Clubes, campeonatos provinciais de Luanda, Supertaça “Francisco de Almeida” e Taça de Angola.

A atleta, com passagens pelo Merignac Handball e Toulon St. Cyr HBV (França) e por uma equipa da Costa do Marfim, considera-se uma pessoa de trato fácil.  A língua, confessou, foi um dos principais obstáculos quando integrou a formação rubro e negra: “Cristina Branca, Luísa Kiala e Natália Bernardo foram as minhas tradutoras. Elas falam um pouco de lingala. Mas aos poucos entrei na dinâmica”, disse.
Sem precisar o valor do contrato, afirmou que os rendimentos financeiros permitem sobreviver sem sobressaltos. A conquista inédita do título Mundial de Clubes é, na visão da jogadora, o ponto mais alto da carreira.

“É uma experiência inesquecível. Com certeza vai ficar para sempre na minha memória”. Cristiane Mwasessa revelou ter boa relação com as colegas, incluindo as jogadoras dos escalões de formação.  “Não tenho problemas com ninguém. Sou aberta com todos. Mesmo com as atletas das equipas adversárias”.

Partilha do posto

Na lateral esquerda, Mwasessa partilha a titularidade com Vivalda da Silva, apesar de às vezes alinhar no centro, em substituição de Isabel Guialo “Belinha”. Com a família a residir em França, afirmou que recorre a vídeo-chamadas para falar com o marido e a filha, sem esquecer os parentes residentes na RDC.
“A família é o meu suporte. Quando há interrupção dos treinos por uma semana vou ao Congo Democrático. Se tiver mais de uma viajo para a França”.
De forma descontraída, a capitã da selecção congolesa assumiu que gosta de dançar “tarraxinha” e “kuduro”, mas não sabe dançar “kizomba”, embora goste de ouvir o referido estilo musical.
Apesar de estar há cinco anos em Luanda, a lateral esquerda ainda tem dificuldades em comer a comida angolana.
“Por causa da forma como é confeccionada. É muito diferente. Prefiro comprar produtos e cozinhar em casa”.

Ser atleta do 1º de Agosto é, na opinião da andebolista, uma boa experiência, e sublinha o facto da direcção do clube ter investido muito e respeitar os compromissos contratuais.
Quanto a permanência, diz: “da minha parte só tenho de mostrar trabalho. Eventualmente vou terminar a minha carreira aqui”.

Com alguma nostalgia, a capitã congolesa relembrou o início difícil da carreira na RDC, mas destacou as condições de trabalho nas equipas francesas e no 1ºde Agosto.
“Comecei a jogar na areia, no Congo Democrático. Na Costa do Marfim treinava numa quadra pequena. Portanto, foi preciso muita determinação para continuar. No 1º de Agosto, a construção do Pavilhão Paulo Bunze é uma mais-valia”.
Segundo Mwasessa em África trabalha-se muito e citou o seguinte exemplo “em França treinava apenas 1h30 minutos, aqui são duas horas”.

Guarda-redes cubana

Guarda-redes titular, Eleneidys Lioveras, 33 anos, contratada em Junho de 2018 e cujo vínculo expira em Julho, mede 1,80m, pesa 80 quilos.
Lioveras começou a prática desportiva aos 10 anos e representou a selecção cubana de 2003 a 2016. Antes de chegar a capital angolana actuou no andebol turco, com experiência pelos campeonatos norueguês e alemão.

Ao serviço do conjunto rubro e negro, conquistou um título Mundial de Clubes, uma Supertaça “Babakar Fall, Taça de Angola e a Taça dos Vencedores das Taças. As conquistas juntam-se duas Supertaças “Francisco de Almeida”, dois nacionais, provinciais de Luanda e duas Taças dos Clubes Campeões.
Casada há oito anos com o treinador cubano da equipa militar do escalão infantil, Denis Fernandes, a jogadora congratula-se por contar com o apoio do marido, “estamos juntos há muito tempo e praticamos o mesmo desporto”.

Filha única, tem na mãe, no esposo e na sogra, os principais suportes.
“Recentemente a minha mãe e a sogra estiveram em Luanda, por um mês de férias. Elas gostaram tanto e queriam ficar. Mas não aceitei. Precisamos da nossa privacidade. Risos… Mas sempre que podemos vamos a Cuba”.
Apesar de actuarem no mesmo ramo, a guarda-redes defende que o facto do marido ser treinador de andebol não tem influência no seu desempenho. “Ele é muito tranquilo. Eu sou muito altiva. Mas somos muito unidos. Cada um procura fazer o seu trabalho com brio e responsabilidade”.
A interacção com as colegas é boa, acrescentou, dificilmente cala-se, por estar sempre aos risos e brincadeiras.

Eleneidys não tem por hábito frequentar a casa das colegas, mas abre excepção “vou a casa da Wuta Dombaxi, quando há uma actividade extra-clube”.
Residente no Talatona, quando não está a treinar, contou, dedica-se a leitura e a assistir novelas ou séries. Às vezes opta por dar uma volta pela cidade e restaurantes, com o propósito de conhecer um pouco mais da gastronomia angolana.
“Gosto muito do feijão de óleo de palma. Já experimentei o funge, não gostei. Aprecio o feijão com peixe ou frango grelhado”. Quanto a permanência no país, revelou “gosto muito de cá estar. Apesar de ser uma nova cultura”.

O facto de ter contacto permanente com os compatriotas residentes em Luanda, faz Eleneidys sentir-se acolhida. “É como se estivesse em casa. Sinto-me melhor aqui do que na Turquia. Tenho contacto com muitos cubanos. Reunimo-nos aos finais de semana”.
Em relação à convivência com as jogadoras do Petro de Luanda: “são muito profissionais. Tenho mais abertura com a Magda e a Aznaide. Com as demais nem tanto”.
Quanto ao andebol praticado em Angola, Lioveras argumenta: “Há muito futuro. Se continuarem a trabalhar com a mesma dinâmica e mantiverem o foco, com certeza os resultados vão aparecer. Há muito talento”. (Jornal de Angola)

Por: Teresa Luís

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