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Ministério da Cultura quer solução equilibrada entre os grupos na Igreja Tocoista

O Episcopado Tocoista afirmou esta semana, em Luanda, que Dom Afonso Nunes é o líder da Igreja do Nosso Senhor Jesus Cristo no Mundo “Tocoistas”, em resposta ao grupo dos “12 Mais Velhos” e explicou que, há apenas uma interpretação errónea do acórdão do Tribunal Supremo sobre a legitimidade, mas que não é verdade que a decisão deste tribunal legitima aquele grupo de dissidentes pra dirigirem á igreja, nem o proíbe de ser o líder legal dessa denominação religiosa ou de usar os símbolos de igreja de Simão Gonçalves Toco.

O documento tornado público pelo Episcopado Tocoista, esclarece que a igreja tomou conhecimento que no âmbito do processo judicial instaurado por um grupo de irmãos “desavindos” que se opuseram ao despacho nº 396/15, de 16 de Novembro”, do Ministério da Justiça e dos Direitos Humanos, a igreja tomou o conhecimento do acórdão proferido pelo plenário do Tribunal Supremo, que confirma a decisão antes citada  na 3ª secção da Câmara Cível, Administrativo, Fiscal e Aduaneiro do mesmo tribunal, que declarou nulo o referido despacho nº 396/15, de 16 de Novembro.

De acordo com essa decisão, entende-se que a Igreja do Nosso Senhor Jesus Cristo no Mundo “Tocoistas”, deve retomar à situação jurídica de 1992, em que “erradamente reconhecia a Igreja alheia de Deus em três partes, cita o comunicado”.

Entretanto, por não se conformar com esse sentido decisório, a Igreja, dentro do prazo legal, interpôs o competente recurso extraordinário de inconstitucionalidade, que deve a ser apreciado pelo Tribunal Constitucional, para além do recurso que, certamente, o autor do acto administrativo interporá visando a sua manutenção.

“Para nós, o Estado angolano, ao ter agido como agiu, exarando o Despacho n.º 396/15, de 16 de Novembro, apenas repôs a verdadeira identidade da Igreja, o que sempre defenderemos”, disseram.

“Esclarecemos que, para todos os efeitos legais, com o recurso ora interposto, o Despacho n.º 396/15, de 16 de Novembro do Ministério da Justiça e dos Direitos Humanos, mantém-se em vigor até os dias de hoje, porque, é válido e eficaz, porquanto, o aludido Acórdão, por não ter transitado em julgado, não produz quaisquer efeitos”, sublinha a liderança Tocoista.

Logo, continua, “é preciso explicar que, há uma errónea interpretação do Acórdão em questão, veiculada por aqueles que se auto intitulam por 12 Velhos, não é verdade que a decisão do Tribunal legitima-os como sendo a Direcção da Igreja, muito menos proíbe o Líder da Igreja, Bispo Afonso Nunes e os Tocoistas de continuarem a usar os símbolos da Igreja”, defende o documento. 

História da Igreja

O Episcopado Tocoista conta que, de acordo com a história, até a data do desaparecimento físico do Fundador do Tocoismo, Sua Santidade Profeta Simão Gonçalves Toco, os ditos “12 Velhos” nunca constituíram uma Igreja tal como, nem tão pouco foram tidos como legítimos representantes da Igreja, mas sim um grupo ou órgão específico dentro da estrutura da Igreja, à semelhança de outros então existentes, tais como, os 12 Vices e os 40 Mancebos.

Quem foram os 12 Velhos?

Segundo um comunicado da ala ‘Nunista’, os 12 Velhos foram um número de fiéis da Igreja, indicados pelo Profeta Simão Gonçalves Toco, enquanto esteve preso na cadeia de Ndolo e Filtra, no ex Congo Belga, na companhia de outros seguidores, isto é, no dia 22 de Outubro de 1949, fruto dos efeitos da efusão do Espírito Santo em África.

O objectivo da formação daquele grupo era fundamentalmente dirigir orações à Deus, para que a obra não parasse, enquanto o Fundador do Tocoismo e os demais fiéis encontravam-se na cadeia.

“Eis a composição dos irmãos que indicados pelo Santo Profeta, para a constituição do grupo de 12 Rapazes e não velhos, como hoje se diz: 1) Mavembo Sebastião, 2) Makuikila Monteiro, 3) Teka Tomás, 4) Tunga Daniel, 5) Mpovi Paulo David, 6)Luku Luwangamu, 7) Kanga Pedro, 8) Sala Filemon, 9) António Ferraz, 10) João Félix, 11) Cula Daniel e 12) Mancota André (todos já falecidos). Cita a nota de imprensa.

Ambição depois da morte da Profeta

“Como é consabido, após o desaparecimento físico de Sua Santidade Profeta Simão Gonçalves Toco, alguns desentendimentos foram surgindo no seio da Igreja, passando a reinar a vontade dos homens, em detrimento da vontade de Deus, o que veio a dar lugar, infelizmente, ao reconhecimento tripartido de uma mesma Igreja, através do Decreto Executivo 14/92, de 10 de Abril – facto que, obviamente, nunca constituiu vontade do Fundador”.

Recorde-se que, até 31 de Dezembro de 1983, a Direcção da Igreja compreendia um corpo de Responsáveis, encabeçado pelo Santo Profeta Simão Gonçalves Toco, como Dirigente e integrando os seguintes irmãos: Pastores Kutendana João; Pastor Vemba Ambrósio; Samuel Mambo Domingos;  Ancião Dombaxe Malungo; e demais membros dirigentes como: Cristina Emília Simão Manuel; Juliana Sebastião; Josefina Makiesse; Panzo Filemon; Lopes Martins Panzo; Landu André; Kinfumu Manuel; Konoca Pedro; Muanga Pedro; Dofonso Fernando Manzambi.

Da relação nominal acima, importa ressaltar que estão em vida actualmente as irmãs Anciãs Cristina Emília Simão Manuel, Josefina Makiesse, Juliana Sebastião e Dofonso Manzambi.

Ministério da Cultura reafirma o reconhecimento do Bispo Afonso Nunes

Sobre as quizilas internas da Igreja  de Simão Toco, o ministro da Cultura, Turismo e Ambiente de Angola, Jomo Fortunato, disse que resolver esses problemas “não é função do Estado”.

“O Estado pode aconselhar e o aconselhamento é sempre positivo para encontrar equilíbrios entre partes desavindas, os conflitos religiosos são bíblicos, remontam à própria existência humana, mas temos de encontrar formas de solução equilibrada entre os grupos, as tendências, as cisões e os conflitos internos das igrejas, encontrar formas que venham a mediar esse tipo de conflitos sempre na perspectiva positiva”, afirmou.

Para Jomo Fortunato, a igreja Tocoísta é como outra qualquer e se há questões internas, serão resolvidas da melhor maneira.

“E nós vamos encontrar as melhores soluções, as soluções positivas, as soluções que satisfaçam a maioria”, disse ainda o ministro da Cultura. (Na Mira do Crime)

 

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