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Magnata angolano vai comprar jornais e rádio em Portugal

Foi advogado de renome da elite angolana, agora prepara-se para comprar o Semanário Novo e o Jornal Económico.

Primeiro foi o Polígrafo, depois foi a Forbes Portugal. Agora está a caminho de adquirir o Semanário Novo e o Jornal Económico – e não vai ficar por aí, tendo também uma rádio no horizonte, apurou a SÁBADO. N’Gunu Olívio Noronha Tiny está a comprar vários órgãos de comunicação social em Portugal para os agregar num novo grupo, o Media9Participações (Media9Par), que será subsidiária da Emerald Group, conglomerado fundado pelo empresário angolano.

De acordo com informações recolhidas pela SÁBADO, os processos de aquisição dos títulos do Jornal Económico (detido pela Megafin) e Semanário Novo (da Lapanews) estão “muito avançados”. Apesar de as duas empresas terem propostas de diversos investidores, foi Tiny que conseguiu segurar “um acordo de princípio”, estando a decorrer negociações avançadas. Ao nível editorial, não haverá grandes mudanças para o JE – é um projeto de continuidade –, apenas para o Semanário Novo, que vai deixar de ser assumidamente de centro-direita. “Terá uma perspetiva liberal, aberta a todas as tendências políticas, da esquerda à direita democrática”, afirmou fonte do futuro grupo.

Quem é N’Gunu Tiny, que quer “conquistar o estatuto de player de referência no segmento da comunicação social no mercado lusófono”, como afirmou em comunicado? Nascido em São Tomé e Príncipe, é filho de Carlos Tiny, antigo ministro são-tomense das Relações Exteriores e ex-candidato presidencial. Aos 23 anos, foi um dos melhores alunos na Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa, lembra o seu professor Miguel Poiares Maduro, tendo uma média de 19 valores. Contudo, foi em Luanda que ganhou a sua reputação de advogado, tendo obtido cidadania angolana em 2010.

Trabalhou primeiro na CFA, escritório de advogados de Carlos Feijó, que conhecera na Nova, onde prestou serviços de consultoria à Sonangol, liderada por Manuel Vicente – antigo vice-presidente angolano que foi notícia por alegadamente ter subornado em €760 mil o procurador Orlando Figueira para arquivar processos em que estava implicado. Tiny chegou a deslocar-se a Portugal para depor enquanto testemunha no processo (Operação Fizz), mas apenas confirmou os serviços à Sonangol e várias reuniões com Manuel Vicente, escudando-se no sigilo profissional. “Fui consultor jurídico da Sonangol entre 2005 e 2015, fazia trabalhos pontuais, nunca tive contrato e não representei a Sonangol nas negociações com a Coba, Primagest ou Berkeley”, disse.

Quando Feijó ascendeu a ministro de Estado e chefe da Casa Civil de José Eduardo dos Santos, Tiny foi nomeado em 2011 como membro da Comissão de Estruturação e Gestão da Comissão do Mercado de Capitais do país. Em 2016, ascende a presidente do conselho de administração do Banco Postal de Angola – nos meios de comunicação mais críticos de Eduardo dos Santos, como é o caso do Club K, foi classificado como “testa de ferro” do regime angolano. Quem o conhece afirma à SÁBADO que “dá-se bem tanto com o clã dos Santos como com a actual governação de João Lourenço”. “É isso que faz qualquer um que queira fazer negócios em Angola”, afirmou.

Mais do que advogado, Tiny é um homem de negócios. Ao lado de José Maria Ricciardi (ex-BES), Jorge Tomé e Luís Paulo Tenente (ex-Banif) e António Simões (ex-Sovena), foi um dos cinco sócios da Optimal Investments, empresa de assessoria financeira, tendo sido responsável pela operação Toys ‘R’ US Ibéria, vendida a 100% por um valor de equity na ordem dos €120 milhões ao grupo português Green Swan, de Rui Trigo e Paulo Andrez.

Mas tem também apostado no conglomerado que fundou, o Emerald Group, sediado no Dubai, e com três áreas de negócio: investimento; consultoria; e investimento no setor do petróleo, gás e mineração. Foi no seio deste grupo que começou a aventura em meios de comunicação social portugueses: em 2018, com o projecto de fact-checking Polígrafo. Detido pela empresa Inevitável e Fundamental, a Emerald detém 40% do capital, enquanto os restantes 60% são assegurados pela empresa de Fernando Esteves, director do Polígrafo. Em Março de 2021, Tiny comprou a Forbes Portugal e lançou a Forbes África Lusófona. (Sábado)

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