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Mais de 80% das escolas fecharam devido à crise em Camarões

Segundo Unicef, cerca de 600 mil crianças estão sem acesso à educação; milhares de pessoas carecem de serviços básicos como saúde e água potável; meios de subsistência foram destruídos por causa da violência armada.

Cerca de 1,3 milhão de pessoas precisam de alguma forma de assistência humanitária nas regiões noroeste e sudoeste de Camarões. Nesse total estão incluídas aproximadamente 650 mil crianças, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef.

Em declarações a jornalistas, em Genebra, o porta-voz do Unicef, Toby Fricker, alertou que a situação de segurança e as condições de vida continuam se deteriorando no país.

Famílias

O número de afetados inclui cerca de 450 mil deslocados internos. O representante disse que “as crianças e suas famílias estão fugindo e sofrendo em meio à violência armada, ataques a suas casas e escolas, sequestro, violência sexual e recrutamento para grupos armados.”

Toby Fricker apontou que “bloqueios impostos, ou dias com cidades-fantasmas, devido a ações de grupos armados não-estatais, estão afetando a liberdade de movimento das pessoas e a entrega de assistência humanitária.”

(Foto: Acnur/Gaelle Massack)
Crianças refugiadas nigerianas em uma sala de aula em escola pública no campo de Minawao, nos Camarões.

De acordo com a agência, “milhares de pessoas não têm acesso ou têm acesso reduzido a serviços básicos como saúde e água potável, e os meios de subsistência foram destruídos.”

Estima-se que em dezembro passado, 40% das unidades de saúde na região sudoeste não estavam funcionando. O porta-voz destacou que “a crise escalou os protestos na região anglófona pedindo por uma maior autonomia há quase três anos e também teve um impacto arrasador no direito das crianças à educação.”

Aulas

Fricker disse que “para muitas crianças, já se passaram três anos desde que eles pisaram pela última vez em uma sala de aula.”  Ele acrescentou que “devido à proibição de acesso à educação por parte de grupos armados e aos ataques de milícias não-estatais, mais de 80% das escolas foram fechadas, afetando mais de 600 mil crianças.”

O Unicef aponta que pelo menos 74 escolas foram destruídas e estudantes, professores e funcionários da escola foram expostos a atos como violência, rapto e intimidação. Desde 2018, mais de 300 alunos e professores foram sequestrados e libertados depois de passarem por experiências traumáticas.

Para a agência da ONU, as ações que têm como alvo a educação estão “colocando em risco o futuro de toda uma geração de crianças, que com o apoio e as oportunidades certas, podem construir um futuro mais estável e próspero.”

O porta-voz destacou que “escolas e salas de aula devem fornecer espaços seguros para as crianças aprenderem, estar com seus amigos e restaurar um senso de normalidade em suas vidas.”

Acesso Humanitário

O Unicef destaca que “quando as crianças estão fora da escola, elas enfrentam um risco maior de recrutamento por grupos armados e são mais propensas a estarem expostas ao casamento infantil, à gravidez precoce, ao trauma e ao sofrimento emocional de longa duração que essas experiências trazem.”

Fricker adicionou que “enquanto o acesso humanitário continua a ser um desafio, o Unicef e os parceiros estão fazendo o que podem para alcançar e melhorar a vida das crianças e das pessoas necessitadas.”

No ano passado, a agência da ONU apoiou quase 140 mil crianças. Trabalhando com parceiros, o Unicef distribuiu kits de água, saneamento e higiene para mais de 78 mil pessoas.

Cerca de 30 mil crianças receberam apoio psicossocial através de 33 espaços seguros para crianças e clubes de jovens, e 972 crianças separadas e desacompanhadas estão recebendo apoio para voltar a uni-las com suas famílias.

Apoio Psicossocial

Cerca de 15 mil crianças deslocadas estão agora frequentando escolas formais em comunidades de acolhimento fora da região. Os professores foram treinados para fornecer apoio psicossocial a crianças que estão lidando com os efeitos do conflito e do deslocamento.

O Unicef também trabalha com líderes religiosos e comunitários para apoiar os esforços para reabrir escolas e desenvolver planos de mitigação de riscos para esses locais na área do conflito, caso ocorram ataques durante o período de aulas. (ONU News)

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