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FAO: gafanhotos do deserto estão devastando sudeste africano

Agência da ONU pede mais medidas de prevenção e controle para diminuir perdas de colheitas; enxames provocaram perdas significativas nas terras cultivadas.

A menos que sejam tomadas medidas urgentes e permanentes para controlar a invasão de gafanhotos do deserto na Etiópia e na Somália, a praga se espalhará para outros países da África Oriental, incluindo Djibuti, Eritreia, Quênia, Sudão do Sul e Sudão.

As fêmeas dos gafanhotos do deserto podem colocar até 300 ovos durante a vida. (Foto: FAO/G.Tortoli)

O alerta foi feito pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO.

Gafanhotos

Segundo a agência, a rápida incursão da praga em várias áreas da Etiópia já resultou em perdas significativas nas terras cultivadas.  Os meios de subsistência dos pequenos agricultores que dependem de colheitas e da pecuária também foi prejudicado.

O coordenador sub-regional da FAO para a África Oriental, David Phiri, disse que a infestação pode levar a uma queda considerável na produção agrícola e exacerbar ainda mais a terrível insegurança alimentar e desnutrição.

Ele explicou que, como o clima parece favorável para a proliferação dos gafanhotos, há uma alta probabilidade de que eles continuem se reproduzindo até março ou abril do próximo ano. Phiri afirmou que “isso afetará muito as pessoas e o gado em muitas partes da sub-região, que já abriga 50% das pessoas com insegurança alimentar na África.”

O coordenador fez um apelo para que os parceiros de desenvolvimento apoiem os esforços dos governos nacionais e outras instituições para ampliar suas operações e evitar um possível desastre.

Perdas

Apesar dos esforços, já ocorreram perdas substanciais nas plantações nas regiões de Amhara e Tigray, na Etiópia. Grupos de gafanhotos já cobriram quase 430 quilômetros quadrados e consumiram cerca de 1,3 milhão de toneladas de vegetação durante um período de dois meses.

Nesse momento, enxames estão passando pelas áreas de pastagens da Somália e Etiópia. Na Eritreia, grupos de insetos migraram da Etiópia foram identificados e controlados na costa norte do Mar Vermelho.

A FAO também informa que enxames foram detectados em distritos do sul da Eritreia.

Pulverização

Devido às condições favoráveis, outra geração de gafanhotos do deserto deverá afetar a região em 2020. Para evitar essa situação, a agência da ONU está trabalhando em estreita colaboração com o Governo Federal da Somália e organizações parceiras para realizar grandes operações de pulverização aéreas e terrestres.

O gafanhoto do deserto é o mais perigoso de quase uma dúzia de espécies deste tipo de inseto. Está normalmente presente nas áreas desérticas de 20 países entre a África Ocidental e a Índia, cobrindo quase 16 milhões de quilômetros quadrados.

A vegetação verde e solos úmidos e arenosos favorecem a reprodução. Um enxame típico pode conter até 150 milhões de insetos por quilômetro quadrado.

Os grupos migram com o vento e podem percorrer de 100 a 150 quilômetros em um dia. Um enxame médio pode destruir em um dia uma quantidade de comida suficiente para alimentar 2,5 mil pessoas. (ONU News)

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